

Na infância, frequentei muito a casa de Dona Mariinha, no Buriti, referência de charme e elegância em Ubajara. Levado à força por minha tia, em desconfortável roupa domingueira, ouvia sentadinho peças de piano executadas por uma prima, enquanto corria roda de doces, quitandas, sucos e licores, castigo atroz para crianças que preferiam estar a comer rapadura quente nas gamelas.

A meninada se lixava para aquela liturgia toda e preferia conversar sobre o cabriolet, meio de transporte peculiar que Dona Mariinha utilizava em suas idas à cidade.


Com a morte de Dona Mariinha, o INCRA fez no Sítio Buriti um projeto de assentamento de reforma agrária. Com o preconceito atávico da zelite brasileira, achou por bem que os assentados não estavam à altura de cuidar daquele templo da aristocracia local e separou um hectare de terra onde ficavam a casa e benfeitorias para ser administrado pela prefeitura local.

O resultado, vemos nas fotos.