
Amazônia, foto de 1981. Nove anos depois da Conferência de Estocolmo, seis anos depois da música de Paulinho da Viola, quando o “milagre econômico” da ditadura já tinha afundado, o que restou de um naco de floresta. Se vendia como progresso e desenvolvimento.
Dá pra imaginar que em 1823 José Bonifácio de Andrada e Silva, o patriarca da independência, tenha querido colocar na primeira Constituição do Brasil, que completa 200 anos, artigo que protegia matas ciliares e florestas? Não, o imperador dissolveu a assembleia constituinte e outorgou uma constituição palatável à bancada ruralista.
Dá pra imaginar que em 2024 a mídia profissional esteja aliada à extrema direita numa campanha abjeta e sórdida, mas cuidadosamente orquestrada, de desmoralizar a ajuda prestada pelos governos e milhares de voluntários de todo o País? Sim, se sabemos que apoiou o golpe de 1964, seus 21 anos de ditadura e cultua como divindade uma entidade disforme chamada uzmerkádu.


A mídia profissional brasileira tem histórico deplorável na cobertura de desastres, catástrofes, tragédias. Prioriza o sensacionalismo em detrimento da informação. E foge como o diabo da cruz de perguntar os por quês. “Não é hora de procurar os culpados”, padrão pra criar cortinas para esconder culpados, pegos com as calças na mão. Mas o ruim pode piorar e a partir da COVID, tragédia maior com 700 mil mortos, desceu mais um degrau.
Cenário perfeito para a repetição do desastre. A blindagem para proteger os responsáveis, por ação e omissão, pela calamidade que se abate sobre o Rio Grande do Sul é acintosa. Ao contrário, questiona-se, com ênfase, a ação pronta e corajosa do governo federal para enfrentar a tragédia. Aproveitando a fumaça o Congresso vai correndo com 25 projetos de lei e 3 emendas constitucionais (PEC) pra acabar com o pouco de proteção ambiental disponível, o governador pede carona no foguete do milionário (in english, of course), o prefeito de POA contrata empresa de consultoria expert em livrar a cara de criminosos ambientais (porque a lei lhe dá esse poder) e a mídia dita profissional vai procurando pelo em ovo em cada fala do Presidente. Como diz Paulinho da Viola, não dá pra ter ilusão neste cenário de tristeza.
E a vida continua/ Pra consolo dos aflitos/ E desilusão de quem ama.
