
No último dia 12/9, uma sexta-feira, inteirou 100 anos que Ariolino Aristides dos Santos sentou para escrever ao pai, Joaquim Aristides dos Santos, uma carta em que dava vazão aos sentimentos pela sua aprovação para cursar Engenharia na Escola de Minas de Ouro Preto. Começa agradecendo os telegramas de Ubajara, inclusive do Sr Bahé, amigo da família, o que indica que ele já telegrafara dando o resultado. Demonstra muita satisfação por transpor tão íngreme barreira. Desiste de ir ao Rio, aproveitando o mês de férias, que a grana está curta e tem que comprar livros caríssimos. Precisa com brevidade de 300$000, sabendo da dificuldade pois o irmão Fransquinho o mantém informado das cotações do que vendem. E informa os preços caríssimos de Ouro Preto. Tenho a carta em mãos, um passaporte para viajar no tempo. 100 anos é uma data, um século.

Joaquim Aristides formou 3 filhos: Ariolino – engenheiro de minas e civil, Pedrosvaldo Soares Santos – médico e Francisco Pasteur dos Santos – bacharel em direito, que fez carreira na magistratura, chegando a desembargador. Raimundo Aristides dos Santos frequentou o curso de Agronomia, em Viçosa/MG, sem chegar a terminar.


Ariolino retornou para casa logo depois de formado, em junho de 1933, cheio das ideias e de conhecimento. Aí, encontrou os irmãos, Valdemar, na serra, e, Francisco, no sertão, que, juntos, trabalharam duro para transformar as propriedades em modelo de inovação e eficiência. Raimundo juntou-se a eles depois, Pedrosvaldo veio trabalhar em Sobral e também falou presente, Pasteur começou a carreira como juiz em Ubajara.




Des que me entendo por gente, nos idos de 1950, as novidades propostas por Ariolino tinham sido feitas com capricho e encantavam quem visitava as propriedades. A água armazenada no açude Rosamourinha chegava por um canal até o fundo da casa donde era bombeada por um carneiro hidráulico até a caixa d’água. Dia e noite, inverno e verão. A jusante do São Joaquim, que se interligava ao Rosamourinha por um canal, tinha uma plantação de coco da praia e o Rosamourinha fora povoado com tucunaré, peixe amazônico.


Água encanada e luz elétrica faziam parte do repertório da Fazenda São Joaquim, quando ainda não existiam nas sedes dos municípios. Um locomovel na serra, outro no sertão, tocavam as 2 casas de fábrica para beneficiar a produção. Ideias ganham vida e uma abstração chamada fartura vira realidade. O engenheiro Ariolino mostrou o quanto aprendeu na Escola de Minas de Ouro Preto. E para quê.





