1º de Maio

Celebra-se, nesta data, na maioria dos países do mundo, o Dia do Trabalhador. Uma homenagem mais do que merecida às pessoas que constroem a riqueza das nações. Um dia para lembrar a importância de um personagem, costumeiramente invisível, mas de fundamental importância em nosso bem estar diário.

Ao longo do tempo em que foi instituída a data, as organizações dos trabalhadores ao redor do mundo promovem festas, desfiles e manifestações, reivindicando condições de vida à altura de sua importância para a sociedade. Foge a qualquer noção básica de justiça ver que a riqueza gerada pelo trabalhador de nada lhe serve, tendo de se contentar com o mínimo para sua subsistência.

A zelite do Brasil devota profunda ojeriza ao trabalho e ao trabalhador desde que Cabral aportou por estas terras. Significativo, o profundo ódio do imperador D. Pedro II ao Barão de Mauá por ter sido obrigado a lançar a primeira pazada de massa na pedra fundamental da ferrovia Rio – Petrópolis. Não lhe comoveu o fato de ser uma pá de prata, com cabo de jacarandá, cravejado de brilhantes. Recentes passeatas dos herdeiros dessa gente mostram que não evoluímos nada.

Mas fiquemos com o essencial. Hoje é o Dia do Trabalhador. Do homem, da mulher que emprestam sua força e talento para construir riquezas, mesmo que delas não desfrutem. E que constituem a maioria dos habitantes do Planeta. A eles e elas nossa homenagem solidária.

A mão invisível

Gilvan e Cirlando não fazem a menor ideia da existência de uma mão invisível que conduz o desenvolvimento da economia com equilíbrio, eficiência, moderação e justiça.

Esta expressão, usada uma única vez por Adam Smith (1723-1790) nas mais de seiscentas páginas de seu livro, A Riqueza das Nações (1776), tem sido usada e abusada pelos economistas cabeça-de-planilha para esconder sua incompetência e seu viés ideológico. Com certeza nunca leram o livro, nem mesmo a versão reduzida publicada pela Penguim&CompanhiadasLetras. Para eles é apenas um bordão (ou seria chavão?) repetido mecanicamente para aparecer na mídia, apelidados de especialistas.

Voltando aos personagens da vida real, os dois, e milhões de agricultores espalhados Brasil afora, estão absolutamente  conscientes da existência do mercado, não uma entidade etérea e abstrata, mas um lugar cujo funcionamento obedece a leis e mecanismos determinados por atores reais. Atravessadores, distribuidores, atacadistas, traders, varejistas, todos especulam com maestria, manipulando descaradamente a oferta e a procura, que apesar de Lei Federal, deixa muita brecha pros espertos.

E o consumidor, nisto tudo? Ora, ele conta com a mídia para convencê-lo que continua no comando. Repórteres especializados, comentaristas abalizados sempre encontram uma justificativa técnica, meteorológica, climática, infraestrutural ou legal para esconder a especulação e salvar as aparências. Justificam até uma Economia Astrológica, ramo desta Ciência que utiliza números cabalísticos e cálculos esotéricos para esconder o desconhecimento da economia real. (Já viram ministro da Economia de algum país falar em trilhão além do nosso?).

Na realidade, milhões de pessoas morrem de fome embora haja uma super produção agrícola que deprime os preços pagos aos agricultores. A escassez de qualquer produto some tão logo o agricultor lança sua semente na terra, atraído pela sinalização dos preços. E o consumidor de orgânicos jamais se beneficiará de um aumento de produtividade pois faz parte de um mercado de nicho onde a demanda é inelástica. Tudo com mãos bem visíveis.

E no sacolejar da carroça se ajeitam os jerimuns e o “bem estar da sociedade”,

Gilvans, Cirlandos, Gracietes, Enoques, Ditas, Sebastiãos, Clemildas e outras tantas pessoas agricultoras continuam na labuta, ignorados e esquecidos , ao longo de séculos, pelos em postos na vida. Que embora usufruam do bom e do melhor de seu trabalho, só lembram deles para retirar direitos, oferecidos com devoção ao DeusMercado, divindade que se ceva na miséria dos desvalidos.

Afinal, para que serve a Economia? Adam Smith, na citada obra que lhe deu os fundamentos dá uma dica: “Nenhuma nação pode florescer e ser feliz enquanto grande parte de seus membros for formada de pobres e miseráveis.” (A Riqueza das Nações – 1776).

Isso não te diz alguma coisa?