Nosso mundo, nosso lar

A Natureza foi generosa com Ubajara, criando aqui um idílico Jardim do Éden, que habita a cabeça de todo cristão. O Parque contribui para sua conservação e funciona como um chamariz para os visitantes, que fazem da cidade o ponto de partida para conhecer as belezas da Ibiapaba.

Já os habitantes não retribuem tanta generosidade. Fora dos limites do parque, as nascentes e cursos d’água que alimentam suas cachoeiras e os rios que correm para o poente, em direção ao Piauí, se encontram em avançado estado de degradação. O mesmo descuido se observa no trato da cidade, seja pelos moradores, seja pelas autoridades.

De resto, coerente com o egoísmo do ser humano, incapaz de se ver como integrante de uma cadeia ecológica, crente que a vida gira em torno do próprio umbigo. Verdade que alguns empresários começam a entender que as belezas naturais podem ser fonte de lucro e se preocupam com empreendimentos minimamente sustentáveis. Menos mal, mas muito já perdemos.

Seguindo os rios que já não serpeiam tão cantantes encontramos a Cachoeira do Boi Morto, muito frequentada aos domingos e palco do encerramento do carnaval ibiapabano, na quarta feira de Cinzas. Mais à frente, o açude Jaburu, com alguns balneários, de onde os mais dispostos podem enfrentar árdua trilha até a belíssima Cachoeira do Frade, simplesmente indescritível, e ainda preservada pela dificuldade de acesso, mas ameaçada pela falta de um plano de exploração.

Conhecer uma produção industrial de rosas oferece um contraponto à natureza, sem deixar de lado a beleza. Acompanhar todo o processo produtivo e entender porque o clima da região atrai este tipo de investidor é uma boa forma de encerrar a visita. De quebra ainda faz um escalda pé de pétalas de rosa ou monta um buquê para levar de lembrança. Mas, nada de esquecer de voltar.

De volta a Ubajara

No último post chegamos a Ubajara e seus engenhos de rapadura. Veremos, agora, duas ou três coisas sobre a princesa da Ibiapaba, bonita por natureza, como é chamada por tantos que fazem dela seu meio de vida e onde moro desde a última década do século passado.

Encravada no alto da serra/ Onde acaba o agreste sertão, conforme afirma o hino, na Chapada da Ibiapaba, fronteira Ceará/Piauí, com clima ameno, mata que já foi luxuriante, nascentes e olhos d’água que a livravam da escassez hídrica do semiárido, um oásis na paisagem seca do sertão. Situação que lhe permitia (como às outras cidades da região) desenvolver durante o ano inteiro uma agricultura, baseada na cana de açúcar e no café, plantado à sombra das árvores. Abacateiros, mangueiras, jaqueiras, bananeiras completavam a paisagem, garantindo a oferta de frutas na época e das matas se extraia muita ‘madeira de obra’, exploradas, sem plano de manejo, até a sua exaustão.

Mas a joia da coroa é sem dúvida a Gruta de Ubajara, parte de um conjunto de formações geológicas de grande importância espeleológica, paleontológica e arqueológica, que motivou a criação do Parque Nacional de Ubajara, visitado anualmente por milhares de interessados em conhecer sua biodiversidade e beleza cênica. Do Parque, nasceu a ideia da construção do bondinho, teleférico que facilita o acesso à gruta, quando nos 1970 o governo do Estado resolveu olhar para a Região, até então entregue à própria sorte, e procurar desenvolver seu potencial. Uma vocação evidente era o turismo.

O bondinho virou ícone de Ubajara e o responsável pelo dizeres Ubajara Capital do Turismo da Ibiapaba que encontramos na entrada da cidade. Junto com a gruta, da qual é parte indissociável, era atração para turistas do mundo inteiro. Difícil de entender que fique parado por anos, como acontece agora, sem data prevista para a volta, por negligência total dos órgãos responsáveis. E pela segunda vez, desde sua inauguração. Mas isso é assunto pra outra conversa.

Agora, vamos falar de gente que faz. Sem esperar pela solução que vem pronta, o ICMBio, sob a batuta do Chefe do Parque, junto com o pessoal da COOPTUR resolveu incrementar e dinamizar as trilhas já existentes, oferecendo várias opções de visita, que atendem a demandas diversas. Incluindo uma trilha noturna nas noites de lua cheia, encantadora e romântica. Os visitantes responderam positivamente. E o Parque Nacional de Ubajara está mais vivo do que nunca.