Irmão sol, irmã lua

Neste começo de outubro, dia 4, os católicos celebram a festa de São Francisco. Francisco foi um radical pregador do Evangelho de Jesus Cristo, o Nazareno perseguido e crucificado pelos poderosos e chefões religiosos de sua época, por afirmar a dignidade do ser humano. Goza de grande prestígio entre os mais humildes e despossuídos e tenho por ele respeito e admiração.

As cidades do Ceará, que conheço, sempre têm uma igreja ou capela dedicada ao santo, via de regra em bairros populares, como convém. Algumas o têm como padroeiro, destacando-se Canindé, objeto de romaria constante de seus devotos e que neste período chega a receber meio milhão de romeiros. 

Das igrejas consagradas ao santo, dois casos. Em Ubajara, no século passado, Padre Tarcísio, seu vigário e um marco da cidade, pede a um arquiteto recém formado um projeto para a construção de sua igreja. Talvez não tenha recebido o que esperava. Mesmo assim empenhou-se na construção, dotando a cidade de um templo não convencional, moderno, que cumpriu sua função por mais de quarenta anos. O vigário atual, criminosamente, adulterou o projeto, com uma fachada grotesca. Melhor sorte teve a igrejinha da Pampulha, em Belo Horizonte, que resistiu ao ataque dos reacionários e encanta até hoje os que a visitam. E seu arquiteto acabou por tornar-se referência mundial.

Fala-se muito da atitude de Francisco de abandonar posição e riqueza para viver com seus valores. É de espantar, mesmo, quando estamos numa sociedade que vende até a mãe por qualquer caraminguá. Mas o grande lance é a sua visão de natureza. Como religioso acreditava ser criação de Deus, portanto dotada de propósito e harmonia. Sua função, o sustento e a reprodução da vida. Ao ser humano, que nela habita e dela tira o necessário para viver, caberia manter seu harmônico funcionamento, respeitando seus ciclos e seu dinâmico equilíbrio. Por mais de uma centena de milhares de anos, o homem conviveu muito bem com ela. Cerca de 10 mil anos atrás, tornou-se sedentário e danou a inventar coisa. A mais danosa, o bezerro de ouro, erigido em divindade. Para cultuá-la, acumula-se pedras coloridas e brilhantes, barras de ouro, lingotes de prata, nesgas de terra, substituídos, modernamente, por papel moeda, títulos ou anotações eletrônicas, suscetíveis de desaparecer a um clique distraído. Sem a menor preocupação com a destruição causada por este comportamento desastroso. Hora de pensar na visão e na prática de Francisco.

Francisco, atual e necessário.

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