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Organizando os mudados pra casa nova me deparo com esta folha de contato, esquecida em algum armário há mais de 30 anos. Na real, a sessão de fotos completa 57 anos por agora e o que tem de atual é ser uma coleção de selfies, coisa incomum na época. O que significa que devo ter tido um cúmplice que não consigo lembrar e acredito que tenha querido fazer estas fotos para comemorar meus 21 anos de idade, que naquele tempo marcava a maioridade plena.

O cenário das fotos é a sede da IMAGEM-Cooperativa de Trabalho dos Profissionais de Cinema de Belo Horizonte, concebida pelo professor Svend Erik Kierulff para absorver os profissionais formados na Escola de Cinema. Ideia de primeira enfrentando legislação obtusa e conceitos de cooperação deturpados. Pra ter noção cooperativa tinha de ter um mínimo de 21 membros e ser inscrita no INCRA, por mais urbana que fosse. E pra interar 21 tinha de admitir sócio que achava que numa cooperativa todos lucravam, mas o trabalho era destinado a poucos escolhidos. Mesmo assim fizemos um curta-metragem sobre Drummond, Um Anjo Torto, de José Américo Ribeiro, um documentário para o Centrab sobre cooperativa habitacional e um curta-metragem de Eduardo Lacerda, Um Caso do Peru, trabalho escolar. Tudo em 35 mm. Um dia, os trabalhadores mandaram tudo às favas, mas associativismo e cooperativismo continuaram a fazer parte de minha vida.

O fato é que se alugou a casa ali na Prof. Morais, com um grande quintal e um belo barracão, com uma suíte e vários cômodos, dos quais um virou laboratório fotogràfico. A suíte virou meu lar e a piscina vazia do quintal, minha sala de visita. Em troca da moradia, tomava conta da casa. E foi nesse ambiente que se deu a passagem dos 1960 para os 1970 e os primeiros anos da nova década. E também a transição do produtor de cinema para fotógrafo profissional. Mas isso é outra longa conversa. Fica aqui o registro do book que não teve nenhuma utilização prática, sendo hoje a primeira vez em que algumas fotos são destacadas e outras colorizados com um simples comando de voz. E o resgate do uniforme oficial do começo dos anos 1970: guarda-pó, chapéu e sandália japonesa (como se chamava havaiana na época), que tanto pavor causava no meu boy.

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