Um raio de luz

Menina, disse o médico. Certeza?, duvidou o pai. Disso eu entendo, o médico encerra o papo. Narizinho arrebitado, a menina sorri desafiadora. Não sabem o que dizem. Quebrando uma escrita de 12 anos e 7 netos, Maria era a segunda neta do Dr Ariolino e a primeira filha do casal, depois de 2 filhos. Prometia.

Orgulhosamente, trazia as amigas em casa e me apresentava: “Meu pai é um palhaço”. Com certeza, nunca a decepcionei. Bom humor e alegria eram marca da casa e balizavam as descobertas da criançada. Mãe e pai aproveitavam sua chegada para repensar valores e (re)descobrir a magia da vida.

Mergulhos em nascentes geladas na Serra do Cipó, a descoberta de Ubajara, performances audaciosas, uma incursão no Grande Sertão: Veredas, o dia-a-dia duma agência de publicidade, Maria sempre viveu intensamente todos os seus momentos. Uma forma muito corajosa de enfrentar a vida, sem dúvida, mas que exige demais. Com ela os tíbios não se criam. Como disse Guimarães Rosa, ‘o que a vida quer da gente é coragem’.

Da mãe, que não aceitava aquele papo da esposa ser submissa ao marido, herdou o gosto de valorizar o talento e trabalho das mulheres, como na parada musical 365 Girls in a band. Uma aparência que vive a confundir o reconhecimento de fotos do Google. E o carinho, o cuidado, a disposição, o comprometimento, a garra, o amor, que caracterizam o universo feminino. Posso falar que sou um abençoado. E feliz.

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