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À tristeza de perder Maradona se soma a tortura de escutar um monte de çabidos, analfabetos em futebol e em história, a cagar comentários tolos, que só ressaltam a própria basbaquice. Tristes tempos!

A começar pela estúpida comparação entre Pelé e Maradona, completamente fora de tempo e lugar. O momento não se presta a tal parvoíce. Gênios não se comparam. A música prescindiria de um Bach, de um Mozart, de um Beethoven se algum deles fosse o melhor? E Machado de Assis, Graciliano Ramos, Guimarães Rosa são monstros, sem comportar competição besta.

Ficam na memória dos amantes do futebol os momentos mágicos escritos pelo gênio. Como os 2 gols contra a Inglaterra na Copa de 1986. Resumem com perfeição o talento, a malícia, a garra, a determinação de Maradona. Num deles, a leitura ao pé da letra do poema de João Cabral de Melo Neto, que o VAR da época não viu e mostrou pros súditos da rainha que a arbitragem pode ser uma faca de 2 legumes. No outro, uma arrancada magistral, onde só não entrou com bola e tudo porque teve humildade em gol. Lance pra encerrar ali mesmo a Copa do Mundo e dar o caneco pro craque.

Me pego pensando o que teria sido a Copa de 1978 se Menotti tivesse tido a ousadia de Feola em 1958 e chamado o moleque de 17 anos que encantava a torcida do Boca Juniors. Aliás, sinto uma tristeza imensa ao ver que cada vez mais nos aferramos a receitas do passado que já se mostraram um desastre. Os jornalistas se agarram a dogmas tentando sufocar qualquer inovação.

As homenagens de futebolistas do mundo inteiro dão a verdadeira dimensão de Maradona, ao contrário de comentários tacanhos e moralistas de profissionais que vendem a alma pra ter palco na escrota mídia brasileira. O craque mostrou que é possível ganhar dinheiro sem se submeter a ser porta-voz de uma elite predatória. E sabendo defender os interesses de sua classe de origem.

Maradona nunca foi um boneco ventríloquo. Assumiu viver a sua vida com paixão e intensidade. Além das jogadas mágicas deixa pra nós a certeza que o medo não leva a lugar nenhum e que podemos traçar nós mesmos os nossos caminhos. Gente é pra brilhar, não pra morrer de fome.

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