Lembranças do Nélio

Conheci o Nélio há pouco mais de 50 anos, ele nos seus 16 foi trabalhar como boy numa empresa em que eu era sócio. Eu, já com 23, tinha minha primeira experiência como patrão, se bem que a parte administrativa ficava a cargo de um sócio mais velho e experiente. De qualquer forma era seu superior hieràrquico e, na idade dele, os 7 anos de diferença talvez me dessem a aparência de um matusalém. Mesmo assim sempre tivemos um ótimo diálogo, que ele era curioso e tinha objetivos.

Na época, ele tinha vergonha de andar comigo, que eu andava pela rua de chapéu, guarda-pó e sandália japonesa (como se chamava a havaiana, antes de obter status). Eu ria e azucrinava ele e sempre que nos encontramos lembro o fato. (Eu achava que estava abafando e Nélio tinha consciência de que eu apenas ridículo). Em nada isso atrapalhou nosso entendimento, antes provocava papos sobre as diversas formas de encarar a vida. Rosa, que também era sócia da firma, participava de todas as conversas.

Logo Nélio deixa a vida de boy e se lança em novos campos. Tev passagem vitoriosa pela DIMEP, que dominava o segmento de máquinas de cartão de ponto, chegando a assumir o comando do escritório em Goiânia. Depois de lá empreendeu por conta própria, obtendo resultados compatíveis com seu esforço, dedicação e trabalho. Sempre foi filho, irmão. marido, pai e avô extremamente dedicado.

A distância física nunca afetou a amizade. Sempre que vamos a Belo Horizone, entramos em contato e ele faz questão de oferecer um almoço em sua casa. No último que tivemos, nos levou a uma visita à Pampulha, ocasião que fizemos as fotos que ilustram esse post. Não encontrei fotos nossas. Talvez estejam perdidas em algum cato da memória do computador. Mesmo porque somos de um tempo em que não se tinha o hábito de um flash a cada momento.

Hoje cedo, a infausta notícia: Nélio partiu. Dez dias atrás tinha lhe passado o link do primeiro video que postei no youtube, respondida prontamente por ele “devidamente inscrito”. Dureza encarar essa realidade.

Siga em paz, Nélio Lembrança da Silva, você disse a que veio. Rosa e eu sentiremos saudade.

Foto by Nélio Lembrança

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