Por lugares navegados

Minas Gerais é muitas, diz Guimarães Rosa com toda razão. Tive a chance de conhecer várias delas durante o tempo que morei lá. Como fotógrafo, registrei, para o INDI, BDMG, ACAR, entre outros, diversas facetas do seu imenso território. Camanducaia, Coromandel, Ventania, Januária, Milho Verde, Araxá, Malacacheta, Taiobeiras, Alfenas, Poços de Caldas, Araguari, Passa 4, Passa 20, milhares de léguas de estrada, pueris ou lamurientas, conforme o regime de chuvas.

Minha estreia profissional na fotografia foi num documentário produzido por empresários de Diamantina, terra de Chica da Silva e JK, pra divulgar as atrações da cidade que ficava em segundo plano em relação a Ouro Preto, Mariana, Congonhas, mais próximas à capital. Além da beleza do lugar, uma acolhida calorosa, com direito a uma deliciosa pinga ao acordar, bolinhos de feijão (lá chamados de acarajé) e dias incríveis. Vi apenas o copião que aí se encerrava minha participação. Foi dos poucos trabalhos que fiz pra cinema.

Pouco depois, saindo do circuito histórico badalado, fui fotografar para o Jornal do Brasil, um dos templos do jornalismo brasileiro na época, um diamante de tamanho inusual, que um garimpeiro tinha bamburrado em Coromandel. O espetáculo mágico das árvores retorcidas do cerrado de beleza sobrenatural. Uma cidade onde todos os homens, padre, juiz, delegado, etc., se mandam para a beira do rio a faiscar diamantes, na entressafra, ficando na sede apenas o cabo do destacamento a coibir atrevimentos de algum forasteiro incauto. Matéria publicada com destaque no JB, com os devidos créditos nas fotos, pra alegria do deslumbrado iniciante.

Anos mais tarde fiz fotos incríveis numa matéria sobre aviões para uma revista especializada e no crédito das fotos apareceu José Maria. Apesar da reportagem trazer o nome do fotógrafo, sabemos desde Chateaubriand que apenas 5% dos leitores as leem. 10% ainda olham os títulos, mas o grosso mesmo só vê as fotos. Decepção. Voltei ainda a Coromandel para ver o PRODECER destruir a vegetação nativa pra implantar campos de soja e fotografei garimpos no sul do Pará, numa visão bem menos idílica.

As tantas Minas faladas por Guimarães Rosa se resumem pra mim, hoje, em visitas a Belzonte, nem tão frequentes ou sistemáticas como desejado. Convívio com os filhos, parentes, amigos, contando as novidades, lembrando acontecidos. Incursões pelos arredores e a promessa de chegar até Pirapora, numa próxima ida, comer um surubim na brasa no Egnaldo. Desta vez não deu. Fica pra próxima.

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