Pingos nos ii

Um organismo é um conjunto de sistemas que funcionam como um todo mais ou menos estável, exibindo as propriedades da vida. A agricultura orgânica considera a propriedade agrícola como um organismo. Daí o termo orgânico. Tem a ver com a biologia e não com a química. A certificação é dada à propriedade e não ao produto. Por isso, na Europa, este modelo de produção é chamado de bio.  E a maior feira de orgânicos do mundo é a Biofach.

Muita gente acha que o nome tem a ver com os insumos utilizados. Na certa, por associá-la a uma produção sem veneno. E por ignorar o básico de produção agrícola. Desde 2005  o Ministério da Agricultura promove a Semana Nacional dos Orgânicos, na última semana de maio, princípio de junho, na esteira do Dia Mundial do Meio Ambiente. Procura informar ao consumidor as características do produto, onde encontrá-lo e coisas assim.  Nessa época, até agrônomo formado, que teve no currículo noções de fotossíntese, solo, nutrição vegetal, entre outras matérias, aparece para traçar uma visão deformada do assunto.

Verdade, sem as agressões chulas de 40 anos atrás, que diziam ser a agricultura orgânica coisa de ripie e maconheiro. Afinal, sua produção hoje frequenta as prateleiras das maiores redes varejistas e seus consumidores são letrados, bem informados e com renda acima da média. E tudo o que os movimentos orgânicos falam, há um século, sobre a agricultura industrial, hoje hegemônica, se confirmou. Ainda assim, despida do linguajar belicoso, com argumentação apoiada em premissas falsas e falácias toscas, a cruzada continua. Um tormento ler tanta besteira.

O que realmente interessa é que a agricultura orgânica, observando seus princípios – saúde, ecologia, justiça, precaução – se afirma como caminho para um mundo melhor, sustentável e justo. Um texto de Ana Primavesi mostra de forma esquemática as formas de cultivo atuais, incluindo uma discussão dos desvios da produção orgânica pra atender a explosão da demanda. É um bom começo para entender o assunto. Se orgânico vem de organismo, fica claro que este sistema é intrinsecamente ecológico. E, voltando à Primavesi, não é somente uma alternativa para quem quer produzir de maneira diferente, mas sim uma necessidade preeminente para todos os produtores.

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