Pero Vaz Caminha desbundou com a exuberância da vegetação que viu ao desembarcar e escreveu uma carta ao rei: tudo que nela se planta, tudo cresce floresta. Era a senha para o saque. Depressa se esgotou o pau brasil e logo se atacou a mata atlântica pra plantar cana. Quando Ana Primavesi chegou ao Brasil,…
Ano Novo
O Ano Novo chegou de forma explícita aqui no Genipapo. Da noite pro dia as nuvens se formaram, pingos de chuva caíram e o dia amanheceu coberto pela neblina que caracteriza a serra. Uma paisagem que encanta os visitantes que dão as caras por aqui, com as batidas comparações com a Suíça ou Oropa. Essa…
Caminhando
E mais uma vez a Terra dá uma volta completa em torno do Sol. Um ciclo que chega ao seu final, ponto de partida para um novo que se inicia. Nessa época, os humanos fazem um balanço do ano que passou, metas para o ano vindouro e formulam sinceros votos de feliz ano novo para…
Ou então
“Pois que reinaugurando essa criança / pensam os homens / reinaugurar a sua vida” diz, otimista, o poeta João Cabral de Melo Neto. Pergunto: quantos de nós temos consciência do que estamos comemorando nesta data? Evidente que os que debocham dos que não podem comprar carne, não. Diferente de outros profetas que se declaram emissários…
Bela, intensa e delicada
Todo ano a mesma coisa. No fim do verão, ao menor sinal de umidade ou chuva, ao abrir a porta da cozinha, o espetáculo deslumbrante da floração do café. Nos últimos 20 anos, tem acontecido entre o final de outubro e princípio de janeiro. Uma explosão de branco e cheiros que deslumbra a todos. Durante…
No meio do caminho
tinha uma pedra Pense na balbúrdia. Exímio provocador, Drummond afronta os cânones da poesia tradicional e os limites impostos pela gramática. “Reacionários e gramatiqueiros”, os críticos vieram com quatro pedras na mão. Fino gozador, o poeta devolve a agressão quarenta anos depois, com o livro Uma Pedra no Meio do Caminho – Biografia de um…
Belzonte Belóris Belô BH
Quando cheguei em Belo Horizonte, no réveillon de 1968, natural que me aproximasse de pessoas que vinham da Bahia, São Paulo, Paraná, ou mesmo, do Norte de Minas ou Triângulo Mineiro tentar a vida na cidade. Cada um com seu jeito de se integrar. Uma turma de Montes Claros, por exemplo, tinha como marca chamar…
Chuteiras e mortais
Em 1958, o futebol brasileiro encantou o mundo com uma seleção que unia o talento inquestionável de seus craques a um sistema de jogo que lhes permitia exercê-lo. Um time compacto que fechava os espaços na defesa, dificultando o adversário e saia ordenado para o ataque causando estrago. Já no primeiro jogo, o lateral esquerdo…
De vento, tempestade e tubarões
Tomei conhecimento de jangadas e jangadeiros ainda criança, em Piracuruca, antes de conhecer o mar. Dele sabia, por gravuras, retratos e histórias, ser imenso e cheio de mistérios. Dos primeiros, pelo relato embevecido da imprensa da saga de Jacaré, Tatá, Manoel Preto e Mestre Jerônimo – jangadeiros cearenses – que foram do Ceará ao Rio…
Rima rastêra
Certa ocasião, uma amiga comentou com ar de enfado – o pessoal do Nordeste gosta de falar em versos. Antonio Gonçalves da Silva, o Patativa do Assaré, num diálogo com um poeta urbano, letrado, fala – Pra toda parte que eu óio/Vejo um verso se bulí. O povo do Nordeste gosta mesmo de uma rima….