Todo ano a mesma coisa. No fim do verão, ao menor sinal de umidade ou chuva, ao abrir a porta da cozinha, o espetáculo deslumbrante da floração do café. Nos últimos 20 anos, tem acontecido entre o final de outubro e princípio de janeiro. Uma explosão de branco e cheiros que deslumbra a todos. Durante…
No meio do caminho
tinha uma pedra Pense na balbúrdia. Exímio provocador, Drummond afronta os cânones da poesia tradicional e os limites impostos pela gramática. “Reacionários e gramatiqueiros”, os críticos vieram com quatro pedras na mão. Fino gozador, o poeta devolve a agressão quarenta anos depois, com o livro Uma Pedra no Meio do Caminho – Biografia de um…
Belzonte Belóris Belô BH
Quando cheguei em Belo Horizonte, no réveillon de 1968, natural que me aproximasse de pessoas que vinham da Bahia, São Paulo, Paraná, ou mesmo, do Norte de Minas ou Triângulo Mineiro tentar a vida na cidade. Cada um com seu jeito de se integrar. Uma turma de Montes Claros, por exemplo, tinha como marca chamar…
Chuteiras e mortais
Em 1958, o futebol brasileiro encantou o mundo com uma seleção que unia o talento inquestionável de seus craques a um sistema de jogo que lhes permitia exercê-lo. Um time compacto que fechava os espaços na defesa, dificultando o adversário e saia ordenado para o ataque causando estrago. Já no primeiro jogo, o lateral esquerdo…
De vento, tempestade e tubarões
Tomei conhecimento de jangadas e jangadeiros ainda criança, em Piracuruca, antes de conhecer o mar. Dele sabia, por gravuras, retratos e histórias, ser imenso e cheio de mistérios. Dos primeiros, pelo relato embevecido da imprensa da saga de Jacaré, Tatá, Manoel Preto e Mestre Jerônimo – jangadeiros cearenses – que foram do Ceará ao Rio…
Rima rastêra
Certa ocasião, uma amiga comentou com ar de enfado – o pessoal do Nordeste gosta de falar em versos. Antonio Gonçalves da Silva, o Patativa do Assaré, num diálogo com um poeta urbano, letrado, fala – Pra toda parte que eu óio/Vejo um verso se bulí. O povo do Nordeste gosta mesmo de uma rima….
O século vindouro
Último dia do ano 2000. Fim do ano, fim do século, fim do milênio. Data para reflexões, análises, resoluções. Desde que saímos da faculdade, Rosa e eu sempre estivemos envolvidos com atividades associativas. Cooperativa de trabalho dos profissionais de cinema, associação de fotógrafos de publicidade, associação de pais de alunos, cooperativa agropecuária de Ubajara, associação…
Da arte de empobrecer
Em meados do século XX, o papa João XXIII afirmou, numa conversa, haver três formas garantidas de levar um homem à pobreza: o jogo, as mulheres e a agricultura. De jogo e mulheres, falta-me a vivência para dar pitacos. Da agricultura, o Santo Padre estava coberto de razão. Agricultura é atividade que fascina e apaixona,…
Irmão sol, irmã lua
Neste começo de outubro, dia 4, os católicos celebram a festa de São Francisco. Francisco foi um radical pregador do Evangelho de Jesus Cristo, o Nazareno perseguido e crucificado pelos poderosos e chefões religiosos de sua época, por afirmar a dignidade do ser humano. Goza de grande prestígio entre os mais humildes e despossuídos e…
Um pote e seu miolo
Minha estreia em Camocim foi marcada pela generosa acolhida dos habitantes da cidade. Sem perguntar quem eu era, de onde vinha, o que queria, foram logo dizendo seja bem vindo, como podemos ajudá-lo, com tanta sinceridade que fiquei cativado de cara. Desejei ardentemente ser o escolhido para o cargo ao qual concorria, motivo daquela visita….